Ir para o conteúdo
ABRAHCT — Associação Brasileira de Hospitais e Clínicas de Transição

Tempo médio de permanência

A definição nacional que a associação adota, as contas erradas que circulam com o mesmo nome, e uma calculadora para conferir se os seus números fecham.

Por que esta página existe

A definição de tempo médio de permanência existe, é única e é nacional. A ABRAHCT adota essa, e nenhuma outra.

A fórmula está na Portaria SAS/MS 312/2002 do Ministério da Saúde, na ficha E-EFI-05 do QUALISS da ANS e no Observatório ANAHP, e é sempre a mesma: pacientes-dia do período divididos pelas saídas. Não é matéria de escolha nem de opinião.

O que a associação verificou, ao conferir as respostas do seu último levantamento, é que nem toda instituição aplica a norma. Cruzando leitos, ocupação, internações e permanência de uma mesma resposta, parte delas não fecha, e a razão é conhecida: circulam no setor outras contas com o mesmo nome, como medir a permanência dos pacientes internados hoje, ou dividir os pacientes-dia pelas admissões em vez das saídas. Duas delas estão simplesmente erradas, e esta página mostra por quê. Enquanto não estiverem todas alinhadas, comparar duas instituições mede a escolha de fórmula, não o cuidado prestado.

Daí o que você encontra aqui: a definição com as regras operacionais que o padrão nacional não detalha, como o que conta como saída e o que é leito operacional; as quatro contas em circulação, para você identificar qual usa hoje; e uma calculadora para conferir se os seus números fecham entre si antes de qualquer um deles sair da sua instituição. Críticas à metodologia são bem-vindas, e o endereço está no fim da página.

Antes de calcular

Para que linha de cuidado este número vale.

As instituições do setor costumam operar três linhas ao mesmo tempo, e o estatuto da associação as lista lado a lado: transição, retaguarda e cuidados paliativos. Elas têm objetivos diferentes, e a permanência só mede desempenho em uma delas. Somar as três num número só produz um indicador que não descreve nenhuma.

Permanência é indicador

Transição e reabilitação

Recuperar função e dar alta.

Quem está internado aqui
Paciente que passou pela fase aguda, está clinicamente estável e ainda não tem condição de ir para casa: precisa de reabilitação intensiva, antibiótico venoso, desmame ventilatório, adaptação de via de alimentação.
Por que a permanência vale
Aqui a permanência é indicador legítimo: existe uma meta de alta desde a admissão, e o tempo até chegar lá diz respeito ao programa de reabilitação. É desta linha, e só dela, que a associação apura permanência como medida de desempenho.
O que medir
Permanência, e ao lado dela o destino da alta e o ganho funcional entre admissão e saída.

Permanência não é indicador

Retaguarda

Sustentar o paciente crônico complexo.

Quem está internado aqui
Paciente crônico dependente de tecnologia, com traqueostomia, ventilação prolongada ou múltiplos dispositivos, que não se sustenta em casa e não precisa mais de leito de terciário.
Por que a permanência não vale
O paciente costuma não ter previsão de alta, e a permanência longa é da natureza do serviço, não um resultado a melhorar. Medir desempenho por tempo aqui premiaria quem transfere o caso difícil.
O que medir
Estabilidade clínica: retorno ao hospital de agudos, infecção relacionada a dispositivo, lesão por pressão.

Permanência não é indicador

Cuidados paliativos

Conforto e qualidade de vida.

Quem está internado aqui
Paciente com doença avançada e progressiva, sem perspectiva de cura, em que o objetivo declarado do cuidado deixou de ser recuperar função.
Por que a permanência não vale
O desfecho frequentemente é o óbito, e o tempo de internação não mede qualidade de cuidado nenhuma. Publicar permanência desta linha, ou diluí-la na média das outras, é erro de leitura antes de ser erro de conta.
O que medir
Controle de sintoma, registro dos objetivos de cuidado combinados com a família e respeito ao local de morte desejado.

Consequência prática: a calculadora abaixo pergunta de que linha são os dados, e só apura permanência como desempenho na primeira. Misturar um paciente de cuidados paliativos com os de reabilitação no mesmo cálculo produz um número que não serve para decidir nada, e que exposto fora de contexto é lido como ineficiência. Os indicadores sugeridos para retaguarda e paliativos são proposta da associação, ainda em discussão: ao contrário da permanência, não existe ficha nacional que os padronize.

Calculadora

Como saber se o seu número está certo.

Sem depender da palavra de ninguém, inclusive da sua. O total de paciente-dias de um mês pode ser somado por dois caminhos independentes: pelo lado da capacidade, que é quantos leitos você tem, por quantos dias e com que ocupação; e pelo lado do movimento, que é quantos pacientes saíram e quanto tempo cada um ficou. Os dois caminhos descrevem a mesma realidade, então têm de dar o mesmo número. Não é convenção, é contabilidade.

leitos operacionais × dias do período × ocupação
= saídas no período × permanência média

Quando os dois lados não dão o mesmo número, um dos quatro dados foi apurado com definição diferente dos outros três, e é isso que a ferramenta abaixo aponta. Ela trabalha em dois passos: cole a duração das internações encerradas e ela devolve a sua distribuição, com mediana e percentis, já preenchendo as saídas e a permanência; complete com leitos, dias e ocupação e ela fecha a conta. Os dados ficam no seu navegador: nada é enviado à associação.

De que linha de cuidado são estes dados?

Some as três num cálculo só e o resultado não descreve nenhuma. Se a sua instituição opera mais de uma, rode a calculadora uma vez para cada.

Onde achar cada número +
  • Lista de internações: no seu sistema de gestão, exporte as internações com data de entrada e de saída encerradas no período, e use a diferença entre as duas datas.
  • Leitos operacionais: o total de leitos menos os bloqueados no período. Leito extra conta.
  • Taxa de ocupação: o relatório do seu sistema costuma trazer. Se não trouxer, é paciente-dias dividido por leitos-dia, vezes cem.
  • Saídas: o relatório de altas do período, somando altas, óbitos e transferências para fora da instituição.

Passo 1, opcional

Uma por linha, ou separadas por vírgula, ponto e vírgula ou espaço. Cole direto de uma coluna da planilha. Com esta lista, os campos de saídas e de permanência do passo 2 se preenchem sozinhos.

Passo 2

A capacidade do período

Em condição de receber paciente no período, não os instalados

30 para um mês, 90 para um trimestre, 365 para o ano

%

Média do período

Altas, óbitos e transferências externas. Não conta transferência interna

Opcional. Preencha para conferir se bate com os outros números

Os seus números fecham?

Preencha leitos, dias, ocupação e saídas para fechar a conta.

Os dados ficam no seu navegador. Nada é enviado à ABRAHCT.

A definição

O que a ABRAHCT chama de permanência média.

Média de permanência é a soma dos pacientes-dia do período dividida pelo número de saídas do mesmo período, contadas as altas, os óbitos e as transferências externas — a fórmula da Padronização da Nomenclatura do Censo Hospitalar do Ministério da Saúde (Portaria SAS/MS 312/2002), a mesma da ficha E-EFI-05 do QUALISS da ANS e do Observatório ANAHP.

Escopo. Apura-se por linha de cuidado. Como medida de desempenho, a permanência vale para a linha de transição e reabilitação, que tem meta de alta desde a admissão. Em retaguarda e em cuidados paliativos ela descreve o serviço, não o afere, e não deve ser somada à das outras linhas nem publicada como eficiência.

Pacientes-dia pelo censo da meia-noite

A soma diária dos pacientes internados às 00:00, como manda a ficha da ANS. Paciente que interna e sai no mesmo dia conta um paciente-dia.

Saída é alta, óbito ou transferência externa

Transferência entre leitos ou setores da mesma instituição não é saída e não encerra a internação.

Leitos-dia operacionais

Na taxa de ocupação usada para validar, o denominador exclui leitos bloqueados e inclui leitos extras — leitos em condição real de receber paciente.

Mediana e percentis vêm da coorte de saídas

A duração de cada internação encerrada (saída menos entrada; mesmo dia conta 1) é o dado de que saem a mediana, o P25 e o P75, publicados sempre junto da média.

As quatro contas

Quatro contas, o mesmo nome.

São as quatro que apareceram nas respostas do levantamento da associação. Uma é a norma, uma é complementar e duas estão erradas, no sentido de que enviesam o resultado de forma previsível. Antes de comparar o seu número com o de qualquer outra instituição, identifique qual delas você usa hoje.

Pacientes-dia sobre saídas

Indicador oficial

Divide a soma dos pacientes-dia do período pelo número de saídas do mesmo período (altas, óbitos e transferências externas).

É a fórmula do padrão nacional: Portaria SAS/MS 312/2002, ficha ANS QUALISS E-EFI-05 e Observatório ANAHP calculam assim. É o número comparável entre instituições e com o resto do sistema de saúde.

Duração das internações encerradas (coorte de saídas)

Complementar

Toma as internações encerradas no período e mede a duração completa de cada uma: data de saída menos data de entrada.

É daqui que saem a mediana e os percentis, que a média não revela. Em unidade estável, a média da coorte converge para o indicador oficial.

Permanência dos pacientes internados hoje

Incorreto

Mede há quanto tempo estão internados os pacientes presentes na data do censo.

Superestima sempre: quem fica 200 dias aparece em 200 censos diários, quem fica 10 aparece em 10. O paciente de longa permanência entra na conta vinte vezes mais.

Pacientes-dia sobre admissões

Incorreto

Usa admissões no lugar de saídas no denominador.

O erro mais comum de planilha. Em unidade que cresce, subestima; em unidade que encolhe, superestima.

Como publicar

Por que a associação nunca publica a média sozinha.

A distribuição de permanência em transição de cuidados é assimétrica à direita: um punhado de pacientes muito longos desloca a média para longe do caso típico. Duas unidades com a mesma média podem ter realidades assistenciais bem diferentes.

Por isso a associação publica sempre em conjunto mediana, média, percentil 25 e percentil 75, com o número de internações encerradas que compõem a estatística. A mediana é o caso típico; a distância entre ela e a média mede a assimetria; os percentis mostram a faixa onde está a metade central dos casos.

Fora do Brasil

Onde a permanência longa define a categoria.

Existe um receio compreensível no setor: um número alto de permanência, publicado sem contexto, seria lido como ineficiência. A experiência internacional aponta o contrário. Nos países que criaram uma classificação própria para a etapa pós-aguda, a permanência longa é justamente o que caracteriza a categoria.

Estados Unidos

LTCH, Long-Term Care Hospital

acima de 25 dias

Não é uma média observada: é o critério de entrada. Para ser pago como LTCH no Medicare, o hospital precisa ter permanência média acima de 25 dias. A permanência longa é o que caracteriza a categoria, e não o que a desqualifica.

Fonte: ResDAC, centro de dados financiado pelo CMS

Reino Unido

Intermediate care

até 6 semanas

Teto de permanência previsto na política do NHS para os serviços de reabilitação e recuperação após a alta hospitalar. É parâmetro de programa, não média apurada.

Fonte: NHS England, Intermediate care framework

Nenhum destes números serve para comparar com a permanência praticada no Brasil. São categorias com regra própria, definidas em outro sistema de saúde e com outro critério de entrada. A OCDE publica permanência média hospitalar, mas de hospital de agudos, que é outra coisa: comparar seria erro. O que a experiência estrangeira mostra não é um alvo de dias, e sim que a etapa pós-aguda tem classificação própria onde foi reconhecida. É esse reconhecimento que a associação persegue aqui.

Situação deste documento

Definição adotada em agosto de 2026, aplicável aos levantamentos da associação e a todo indicador de permanência que ela venha a publicar. Ela não é criação da ABRAHCT: é o padrão nacional — Portaria SAS/MS 312/2002 (Padronização da Nomenclatura do Censo Hospitalar), ficha E-EFI-05 do QUALISS da ANS e Observatório ANAHP usam a mesma fórmula — aplicado com as regras operacionais explícitas que faltavam para o nosso segmento. O Diagnóstico do Setor de 2025 apurou uma permanência média antes desta definição existir, e por isso ela não consta em Dados do setor: a associação só volta a publicar um número de permanência apurado sob a definição acima.

O que se espera de um associado: rodar a calculadora com os dados de um mês fechado, ver se os quatro números fecham entre si e, se não fecharem, descobrir qual dos quatro está sendo apurado de outro jeito. Nada é enviado à associação nesse momento. O próximo levantamento vai pedir permanência seguindo esta definição, e é melhor descobrir a divergência agora do que depois de o número estar publicado.

Críticas e sugestões à metodologia: abrahct@abrahct.org.br